Todo o trabalho partilhado neste blogue pode ser visionado, consultado e utilizado, mas, por favor, não apague os créditos de um trabalho que é meu. E não plagie. O plágio é uma prática muito feia. Se entender contactar-me o meu e-mail é anabelapmatias@gmail.com
Agradeço aos autores dos vídeos a sua partilha, generosa, no Youtube. Sem esta partilha, as minhas postagens ficariam mais pobres.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Portefólio de História - Apresentação

Escola EB 2/3 de Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães

Portefólio de História - Apresentação

Todo o  portefólio de História deve conter um texto de apresentação do seu autor, para além de outras secções que fazem com que o dito seja um portefólio e não um mero amontoado de folhas. Forneço aos meus alunos um guião, para eles se orientarem mas também lhes digo sempre que espero que os seus portefólios sejam como os seus donos, ou seja, todos diferentes, todos iguais, a cada um a sua identidade. Hoje peguei no portefólio do T. E gostei do que li. Pedi-lhe autorização para publicar o seu texto, muito belo, coisa que o T. fez prontamente, esboçando um certo espanto e admiração.
Partilho a sua apresentação. Porque são felizes os Professores que têm Alunos a pensar e a sentir assim. E feliz é a Escola que acolhe meninos e meninas assim.

Quem sou eu?

Eu sou o T. Adoro a escola. É um sítio onde me sinto feliz e motivado. Gosto de aprender coisas novas e de ter novas experiências. Acho que a escola forma-nos e prepara-nos para a vida. Ensina-nos tanto a matéria como o respeito e a educação.
Gosto muito da érea de humanidades, mas o meu grande sonho é ser cantor, pianista e compositor. A música faz-me sentir bem e faz-me lembrar a escola: tanto para atingir uma nota muito alta como ser bom aluno com excelentes notas, é preciso trabalho e dedicação.
Outra das minhas paixões é a escrita. Adoro escrever e ler também. Ao ler um livro, tiro ideias para escrever o meu. Gosto particularmente dos livros de aventura e mistério.
Gosto muito também de desenhar. Gosto de imaginar uma coisa e desenhar livremente.
Por último, mas não menos importante, gosto da minha família e dos meus amigos.

Este sou eu!

Portefólios de História - 2016/2017


Portefólios de História - 2016/2017

Os portefólios de História contam para a avaliação desta disciplina, no 3º Ciclo de escolaridade, conforme os critérios de avaliação previamente definidos pelo respectivo grupo e aprovados, posteriormente, em Conselho Pedagógico do Agrupamento de Escolas de Amarante.
Dão uma enormidade de trabalho, para os corrigir um a um, palavra a palavra, detetando erros ortográficos e faltas de acentos.
Cada aluno constrói o seu portefólio a partir da segunda aula, aula esta reservada à explicitação do que esta professora pretende com isto e pretende, claro está!, ajudar os seus alunos a organizarem-se, a arrumarem as meias na gaveta das meias e as camisolas na gaveta das camisolas, ou seja, os sumários na secção dos sumários, os trabalhos de aula na secção dos trabalhos de aula, as palavras difíceis nas palavras difíceis, a apresentação da disciplina no sítio respetivo, os objetivos que os alunos pretendem alcançar na gaveta dos objetivos... e por aí adiante conforme pode ser comprovado se clicarem aqui.

A Alemanha Depois da Guerra.


A Alemanha Depois da Guerra.

Por agora, apenas um vídeo para consolidarem conhecimentos.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

A 2ª Guerra Mundial

A 2ª Guerra Mundial
Por agora, deixo-vos este fabuloso resumo sobre a 2ª Guerra Mundial e ainda vários vídeos - o primeiro intitulado "Raça Superior"; um sobre a Noite de Cristal, outro que resume os confrontos nas várias frentes de combate e mais seis de uma série que abordou este sangrento conflito com a chancela National Geographic.















Por último deixo-vos um pequeno vídeo que liga a 1ª Guerra Mundial à 2ª e aos dias de hoje.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O Fascismo Italiano e Português

O Fascismo Italiano e Português

Por agora, deixo-vos alguns vídeos que podereis e devereis ver atentamente para consolidar as matérias explorados em contexto de sala de aula.







segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A Revolução Russa

A Revolução Russa

Sobre esta matéria, já explorada em contexto de sala de aula, deixo-vos a apresentação em PowerPoint intitulada G - A Revolução Russa, já reciclada e agora partilhada para vossa consulta.

Deixo-vos ainda o imprescindível documentário " A Bandeira Vermelha", da série "O Século do Povo".
Não deixem de o ver... ou rever...

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A Crise dos Anos 30

A Crise dos Anos 30

Deixo-vos dois documentários de apoio às aulas, da excelente série "O Século do Povo".
O primeiro intitula-se "A Linha de Montagem". Vejam-no com atenção.



O segundo intitula-se "A Sopa dos Pobres".


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Autoavaliação/Reflexão

Criança Checa em Andarilho - Praga - República Checa
Fotografia (Sobre Fotografia) de Anabela Matias de Magalhães
 
Autoavaliação/Reflexão

O trabalho que hoje partilho com os meus leitores foi realizado pelo M., aluno do 7º ano de escolaridade, durante a última aula do primeiro período em que eu pedi aos alunos de todas as minhas turmas as autoavalições respetivas e umas breves reflexões sobre o trabalho desenvolvido por cada um até ao momento. Licenciada que estou para o partilhar, quero apenas acrescentar que o M, em texto espontâneo, foi direto ao assunto e escreveu isto: ( E é assim que, de pequenino, se torce o pepino!)


     Nível esperado: 5

     Motivos:

     1-Fui assíduo e pontual.

     2-Participei ordeiramente, utilmente e corretamente.

     3-Demonstrei sempre interesse pelos assuntos abordados nas aulas.

     4-Fui empenhado.

     5-Tenho o meu portefólio organizado e separado por secções.

     6-Demonstrei iniciativa, realizando pesquisas e trabalhos sobre a matéria dada.

     7-Fiz os trabalhos que a professora mandou executar.

     8-Fiz sempre os trabalhos de casa.

     9-Passei sempre os PowerPoints que a professora mandou.

     10-Realizei trabalhos extracurriculares.

     11-Em casa, demonstrei interesse e iniciativa.

     12-Esclareci todas as minhas dúvidas com professora.

     Notas nos testes:1º-97,5%   2º-97%

Reflexões
  Alcancei todos os objetivos, que eram ter boas notas nos testes, realizar trabalhos
extracurriculares, ser empenhado e interessado, entender a matéria e aplicá-la corretamente.
  Achei as aulas de História interessantes, esclarecedoras e motivadores. Devo continuar assim no 2ºPeríodo.

sábado, 4 de janeiro de 2014

7ª e 8ª Aulas - Os Movimentos Artísticos de 1900 a 1939

8ª e 9ª Aula - Os Movimentos Artísticos de 1900 a 1939

Sumário: Os movimentos artísticos de 1900 a 1914: Arte Nova, Fauvismo, Cubismo, Futurismo e Abstracionismo. Os movimentos artísticos de 1914 a 1939: Expressionismo, Dadaísmo e Surrealismo. O nascimento da nova arquitetura.

A Arte Nova é um movimento que surge em finais do século XIX aprofundando-se no início do século XX ligado essencialmente à arquitetura e às artes decorativas. Manifestou-se principalmente nas fachadas dos edifícios e nos seus interiores, nos ferros forjados de varandas e de resguardos de janelas, em portas exteriores e interiores, em vitrais coloridos, em azulejos, em peças de joalharia e de vidro, em mobiliário e nas artes gráficas, na pintura e na escultura.
A Arte Nova inspira-se na Natureza, usa formas ondulantes e sinuosas com curvas e contracurvas, decoração orgânica delicada, exuberante, exótica e sensual: mulher, animais, flores e plantas entrelaçam-se de forma elegante e suave.
Na arquitetura destacaram-se Vítor Horta, Antoní Gaudi e Charles Mackintosh, nas artes gráficas Alphonse Mucha, na pintura Gustav Klimt e na joalharia e indústria do vidro destacou-se René Lalique.

O Fauvismo foi uma corrente artística surgida no início do século XX muito influencida pelo uso da cor nas obras de Paul Gauguin e Van Gogh. Caracteriza-se pela utilização de cores provindas directamente das bisnagas, puras, vivas, fortes, agressivas, nem sempre correspondentes à realidade.
O termo fauvismo vem da palavra francesa fauve que quer dizer fera e alguns dos seus principais representantes foram Henry Matisse, Raoul Dufy e Ernst Kirchner.

Partilho convosco um documentário, em francês, sobre A Belle Époque e a Arte Nova.

Aqui vos deixo uma breve distinção entre Art deco e Art Nouveau. Vejam-no e aproveitem para testar o vosso inglês!



E sobre a vida de Alphonse Mucha e a Arte Nova.


E partilho um pequeno vídeo que vos ajudará, por certo, a compreender o fauvismo. Espero que gostem!



E sobre o Cubismo... apreciem...



Post em construção.

Mas, entretanto, deixo-vos a apresentação em PowerPoint referente a esta aula que já está publicada na minha página de recursos com o nome - E - Os movimentos artísticos de 1900 a 1939.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

5ª e 6ª Aula - A 1ª República

5ª e 6ª Aula - A 1ª República

Sumário: Crise e queda da monarquia. A implantação da república. A 1ª República - principais realizações e principais dificuldades.

A apresentação em PowerPoint sobre a 1ª República pode ser visionada em C - A 1ª República.

Sobre o regicídio podes ver o vídeo "Viagem ao dia do regicídio" e ainda imagens da época dos funerais do rei D. Carlos e do príncipe herdeiro D. Luís Filipe.




E sobre a implantação da república:





E aqui pode visualizar uma reportagem da RTP intitulada "Era uma vez Manuel", sobre a vida do último rei de Portugal, que morreu no exílio, em Inglaterra.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Portefólio - Apresentação

Monsanto, a Aldeia Mais Portuguesa de Portugal
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães
 
Portefólio - Apresentação

Hoje partilho outra...

"O meu portefólio convida-vos a ler esta minha apresentação. Espero que gostem...

 O meu nome é M****** e tenho 12 anos. Sou muito simpática, engraçada e brincalhona. Gosto muito de desenhar, estar no computador e adoro olhar para os cavalos quando estes se sentem livres e felizes.

Vim parar à Terra no dia 24 de maio de 2001, nascendo no Hospital de Saint Germain au Laye em Paris.
Tudo começou quando fui para a escola "Félix Eboué, em França, até meio do 3º ano: A minha vida recomeçou aqui, em Portugal, acabei o 3º e o 4º ano na Escola Eb 1 de Vila Seca e entrei no 2º ciclo, onde ainda estou. A escola é a minha segunda casa.

Dois dos meus sonhos: poder, mais tarde, ser fotógrafa e conseguir ir a New York City, The City os Dreams...

Esta sou eu..."

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

2ª, 3ª e 4ª Aula - A 1ª Guerra Mundial

2ª, 3ª e 4ª Aula - A 1ª Guerra Mundial

Sumário: Antecedentes da 1ª guerra mundial: rivalidades entre estados europeus e a formação de alianças. O deflagrar e as várias fases da guerra. O armistício. Consequências da guerra.

No final do século XIXinício do século XX existiam perigosas rivalidades entre várias potências europeias:
  • de ordem económica - concorrência entre estados, por exemplo entre uma Alemanha cada vez mais industrializada que rivalizava com a Inglaterra, rivalidades que se estendiam às colónias com a necessidade de abastecimento de matérias-primas, mão-de-obra barata, mercados para colocação de produtos e locais de investimento de capitais);
  • de ordem política - com a existência de nacionalismos exacerbadosdisputas territoriais, por exemplo a França quer recuperar a Alsácia e a Lorena ocupadas pela Alemanha; a Rússia, o império austro-húngaro e o império otomano querem impor a sua influência nos Balcãs; croatas, bósnios e eslovenos querem a independência política do Império Austro-Húngaro; a sérvia, estado independente, pretendia fazer uma grande nação eslava; a Polónia, partilhada entre a Alemanha, Rússia e Império Austro-Húngaro desejava a independência e unificação; a Finlândia, integrada no império russo também desejava a sua independência.
Em 1882 formou-se a Tríplice Aliança que integrava a Alemanha, a Austro-Hungria e a Itália e em 1907 a Tríplice Entente de que faziam parte a Inglaterra, a França e a Rússia. A formação destas duas alianças/blocos provocou uma corrida aos armamentos e, se um dos países de uma destas alianças fosse atacado, os seus aliados deviam-lhe auxílio e apoio militar. A Europa vivia, no início do século XX, uma verdadeira paz armada onde um qualquer acontecimento poderia revelar-se o rastilho para a guerra. Ora esse rastilho vai surgir na região dos Balcãs, autêntico barril de pólvora devido às disputas entre a Rússia, a Austro-Hungria e o Império Otomano, entre outros.
A 1ª Guerra Mundial teve o seu início no Verão de 1914, em consequência do assassinato do herdeiro do Império Austro-Húngaro, o arquiduque Francisco Fernando, no dia 28 de Junho, em Sarajevo, capital da Bósnia, cometido pelo sérvio Gavrilo Princip, membro de uma organização secreta chamada Mão Negra. Exactamente um mês passado sobre este fatídico acontecimento, a 28 de Julho de 1914, a Áustria, depois de ter enviado um ultimato humilhante à Sérvia e que foi rejeitado, enviou uma declaração de guerra à Sérvia. Os acontecimentos precipitaram-se, imparáveis!, sucederam-se as declarações de guerra e, a 4 de Agosto, a Bélgica, país neutral, foi invadida pelas tropas alemãs que pretendiam chegar rapidamente a Paris dando assim cumprimento ao Plano Schlieffen, de 1905, que apostava no ataque e ocupação rápida da França. Mas tropas alemãs foram dderrotadas e barradas pelos exércitos francês e inglês na Batalha do Marne, que ocorreu entre 5 e 12 de Setembro de 1914 e posteriormente os dois exércitos instalaram-se no terreno, começaram a abrir vastíssimas valas na chamada Frente Ocidental e também na Frente Oriental, as trincheiras, de um e de outro lado, pondo assim termo a uma primeira fase rápida da guerra conhecida por Guerra de Movimentos e inaugurando uma fase longa, que duraria até 1918, conhecida pela Guerra das Trincheiras e onde a guerra conheceria uma desumanização nunca antes experimentada.
Uma das épicas batalhas ocorridas durante esta guerra, Verdun, que duraria de 21 de Fevereiro a 18 de Dezembro de 1916, provocou perto de um milhão de mortos de ambos os lados e a ofensiva aliada ocorrida no Somme entre 1 de Julho e 19 de Novembro de 1916 também provocaria milhares e milhares de mortos e feridos de ambos os lados.
Nestas trincheiras, na frente de guerra, os soldados combateram ao frio, à chuva, à neve, mal alimentados vivendo na imundice, partilhando o espaço com os ratos e as ratazanas... corpos servindo de alimento a pragas de piolhos, corpos desfeitos pelas bombas, pelos tiros automáticos das metralhadoras, aniquilados pelo armamento químico utilizado pela primeira vez, pelos alemães, nesta guerra.

Post em construção...

Meus queridos alunos, partilho os vídeos de apoio à aula desta semana e a apresentação em PowerPoint intitulada B - A 1ª Guerra Mundial.

Partilho também uma ligação para um artigo saído no Público a 3/9/2014, intitulado Os 72 navios alemães que levaram à entrada de Portugal na Grande Guerra para quem quiser aprofundar um pouco mais as circunstâncias da entrada de Portugal na Grande Guerra.

Partilho ainda um link, aqui, para uma série de informação sobre a participação de Portugal na Grande Guerra.

E partilho excelentes documentários sobre tão nefasto acontecimento que marcou o fim de uma era.













quinta-feira, 26 de setembro de 2013

1ª Aula - A Hegemonia Europeia nos Finais do Século XIX

1ª Aula - A Hegemonia Europeia nos Finais do Século XIX

Meus caros alunos,

dando continuidade ao trabalho dos anos anteriores, partilho a primeira aula de matéria já explorada em contexto de sala de aula.

Ora então aqui vai...

No início do século XIX a Europa exibia uma superioridade económica assinalável quando comparada com o resto do mundo. Assim, era responsável por metade da produção industrial mundial sendo que Inglaterra, França e Alemanha eram os países mais industrializados do mundo; detinha 83% da frota mercantil e era em solo europeu que se situavam os principais portos marítimos; controlava o comércio a nível mundial e por si só era responsável por cerca de 62% de todas as trocas comerciais internacionais.
A superioridade europeia manifestava-se também no aspecto financeiro já que 80% de todos os capitais investidos a nível mundial eram europeus e era na Europa que se situavam os principais bancos.
Do ponto de vista demográfico, a Europa também manifestava uma superioridade assinalável, sendo responsável por, num continente tão pequeno do ponto de vista geográfico, cerca de 1/4 da população mundial - em vésperas da 1ª Guerra Mundial, que teve o seu início em 1914, a população europeia representava 27,3% da população mundial.
Aqui se situavam os maiores centros urbanos engrossados por uma população que vivia cada vez mais e melhor, decorrente dos hábitos alimentares de qualidade crescente, de hábitos de higiene cada vez mais regulares, do acesso aos progressos da medicina em termos de vacinação e tratamentos cada vez mais eficazes. A Europa foi, durante décadas e décadas, a fornecedora de milhões e milhões de emigrantes que povoaram e ocuparam todos os outros continentes, sem excepção.
A Europa explorava e controlava as suas colónias do ponto de vista económico, financeiro, cultural, religioso... e vai aprofundar este colonialismo durante a segunda metade do século XIX, pressionada pela necessidade de matérias primas e mão-de-obra barata tão necessárias para a sua industrialização crescente.
A Europa demonstrava também uma superioridade científica e cultural incrível bem patente em dados como: as principais academias de arte e literárias, bibliotecas, museus, universidades situavam-se em solo europeu; até 1914 todos os prémios Nobel foram atribuídos a europeus e a Europa orgulhava-se de exportar os seus estilos de vida, as suas modas, culturas, línguas.
Em suma, a Europa explorava e controlava as suas colónias do ponto de vista político, económico, financeiro, cultural, religioso... através do imperialismo e do colonialismo, que vai aprofundar durante a segunda metade do século XIX, pressionada pela necessidade de matérias primas e mão-de-obra barata tão necessárias para alimentar uma industrialização crescente ocorrida no continente europeu.
De todos os continentes o que despertava mais cobiça entre os países europeus era o extenso continente africano, em grande parte desconhecido, mas muito rico em matérias-primas e habitado por povos considerados inferiores e não-civilizados, racismo, que podiam fornecer mão-de-obra barata.
Na segunda metade do século XIX vários países europeus enviaram exploradores com a missão de fazerem o reconhecimento do interior de África com um intuito geográfico/científico, económico e político já que cada potencia se queria afirmar como a mais rica e mais poderosa. Destacam-se os ingleses David Livingstone e Henrique Stanley, o francês Pierre Brazza e os portugueses Hermenegildo Capelo, Roberto Ivens e Serpa Pinto que, enfrentando doenças raras, animais perigosos e tribos desconhecidas muito contribuíram para o alargar dos conhecimentos sobre o território africano.
Entre 1884 e 1885 realizou-se a Conferência de Berlim, por proposta do chanceler alemão Bismark, com a finalidade de regularizar a partilha de África entre as várias potências europeias. Assim, foram definidas as condições de posse desses territóriossubstituiu-se o direito de ocupação histórico pelo direito de ocupação efectiva em que as várias potências eram obrigadas a promover a efectiva ocupação e exploração dos territórios ultramarinos sob pena de perderem o direito sobre esses territórios.
Em 1886 foi desenhado o mapa cor-de-rosa, tornado público no ano seguinte, que expressava a pretensão portuguesa de unir Angola a Moçambique pelos territórios hoje ocupados pela Zâmbia, Zimbabué e Malawi. Ora esta pretensão portuguesa colidia com a pretensão inglesa de unir a Cidade do Cabo ao Cairo e, em 1890, Inglaterra enviou um Ultimato a Portugal, o chamado Ultimato Inglês, para que retirasse imediatamente as suas tropas do território entre estas duas colónias portuguesas.
Portugal, muito dependente economicamente de Inglaterra, obedeceu de imediato o que contribuiu para o desprestígio da monarquia.

Deixo-vos, como sempre, o link para a primeira apresentação em PowerPoint, que já foi partilhada numa página somente destinada às apresentações de 9º ano, em virtude da outra página estar já com a sua capacidade de armazenamento esgotada. Podem encontrá-la clicando sobre A - A Europa e o Mundo em Finais do Século XIX.

Deixo-vos ainda um vídeo sobre esta matéria e que já introduz matéria da próxima aula.



Ainda mais dois sobre a revolução industrial... para relembrar e enquadrar...





E partilho um pequeno vídeo sobre a Conferência de Berlim que não devem deixar de ver.



Agradecida pela atenção.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Portefólio - Apresentações

Alimento - Pão da Vida - França
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães
 
Portefólios - Apresentações 

As apresentações presenciais foram todas feitas durante a semana passada. Eu apresentei-me aos meus novos alunos integrados em três novas turmas de 7º ano, apresentei a disciplina e eles apresentaram-se a esta professora que lhes solicitou um portefólio arrumadinho e asseado que integrará várias secções entre as quais uma apresentação escrita sobre cada um deles/delas e uma apresentação da disciplina de História.
Hoje espreitei dois ou três, na sala de aula, enquanto os alunos faziam o teste de diagnóstico e gostei tanto do que li que lhes pedi para me enviarem os textos para o mail para publicação aqui no blogue.

Depois de ler alguns textos, garanto-vos: os alunos prometem!
 
Hoje publico os textos do M F. Saboreiem-nos.
 
"Olá! Convido quem está a ler isto, a descobrir o meu portefólio. Antes de mais, o meu nome é M***** e tenho 12 anos. Sou engraçado, amigável e a minha comida favorita é leitão à Bairrada. Os meus passatempos favoritos são estar no computador, andar de bicicleta, ver Tv e praticar desporto. Não posso dizer que a escola é chata, porque se o dissesse estaria a mentir. Até chegar aqui tive muito que percorrer, por isso, vamos dividir o tempo em duas partes: a.7 (antes do 7.ºano) e d.7 (depois do 7.ºano).

Tudo começou a 12 a.7 quando eu nasci no Hospital de S. Gonçalo com 3kg, no dia 1 de Agosto. A 11 a.7 todo o mundo assistiu ao maior acontecimento de sempre: os meus primeiros passos, quando eu estava de férias no Algarve. Alguns anos depois a 6 a.7 outro grande marco histórico: o meu primeiro contacto com um sistema de ensino, o 1.ºano.

Após quatro

E agora no ano 0 mais um desafio me espera, mas conto passar-lhe por cima como fiz com os outros.

Espero que o d.7 chegue depressa e que eu não tenha de repetir o ano 0, nem outros. Alguns anos d.7 gostaria de seguir um curso científico e vingar nessa área.

E É ASSIM QUE EU SOU!!!!!!!!!!!!!!!"

E agora aqui vos deixo a apresentação da disciplina de História realizada pelo mesmo aluno:


"Olá! Estou aqui para vos falar de História. A História é muito importante pois é fundamental sabermos mais sobre o nosso passado. No 7ºano, a História, tal como em outros anos, continua a ser interessante. Para melhor estudar a evolução da Humanidade os historiadores dividiram a História nos seguintes períodos: Pré-história, antiguidade, idade media, idade moderna, idade contemporânea. Para estudar o passado os historiadores precisam de ler, ver, investigar e interpretar os vestígios ou restos que deixaram os homens. Os historiadores usam muitos tipos de fontes para desvendar o passado. Para situar no tempo os factos os historiadores agrupam o tempo em anos, séculos etc...
      Este ano vou estudar três períodos da história: a pré-história, a antiguidade e a idade media. A aprendizagem destes três períodos vai dar-me conhecimentos sobre a vida de povos e sociedades de várias épocas: as atividades económicas, grupos sociais, tipos de governo, crenças religiosas, manifestações religiosas e artísticas. A par destes conhecimentos vou adquirir e desenvolver capacidades específicas de História.  
      É importante conhecer o nosso passado para sabermos como vai ser o nosso futuro."
 
Nota 1 - A Escola está para o nosso espírito, como o pão está para o nosso corpo...

Nota 2 - Desejo a todos quantos por aqui passarem um excelente ano escolar.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Ponto da Situação - Encerramento do Ano Letivo

Auto-Retrato em Montra do Covelo - Amarante
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães
 
Ponto da Situação - Encerramento do Ano Letivo

A razão que explica a inexistência de mais postagens neste blogue desde o dia 28 de Abril, dia em que foi abordada a temática "A revolução liberal em Portugal", deve-se apenas a uma mudança de metodologia seguida para as minhas aulas... porque mudar é por vezes necessário, importante e enriquecedor.
Assim, os três últimos temas de História de 8º ano, H1 - O mundo industrializado no século XIX; H2 - O caso português; e H3 - Novos modelos culturais, foram explorados e trabalhados pelos meus alunos, em contexto de sala de aula, em trabalhos de grupo e em que os alunos tiveram que pesquisar noutros manuais que não os deles, na Internet, tiveram de manusear e seleccionar a informação, decidir a sua apresentação, atendendo a que eu pedi os trabalhos em PowerPoint que todos os alunos dos vários grupos tiveram de apresentar, uns melhor do que outros, claro está, uns trabalhos a surpreenderam-me pela positiva, outros pela negativa, outros correspondendo exactamente ao esperado.
E assim chegamos ao fim de mais um ano letivo... e eis que outro desponta já no horizonte próximo de Setembro. Mas, antes disso, as merecidíssimas férias!

Aqui deixo votos de excelentes férias para todos os meus alunos, para todos os que não são meus também, para os seus familiares que consultam e visitam este blogue, para os meus colegas professores/as, para os meus leitores anónimos deste e do outro lado do oceano... fiquem bem e sejam felizes sff. E obrigada a todos pelo apoio nesta caminhada já longa!

Em Setembro cá estarei... de novo... assim espero.

domingo, 28 de abril de 2013

23ª Aula - A Revolução de 1820 e o Triunfo do Liberalismo

23ª Aula - A Revolução de 1820 e o Triunfo do Liberalismo

Sumário: A revolução de 1820. A independência do Brasil. A guerra civil e o triunfo da monarquia constitucional.

Por agora deixo-vos o link para a minha página de recursos onde está publicada a apresentação em PowerPoint sobre esta matéria com o nome Z - A Revolução de 1820.

Deixo-vos ainda um vídeo que faz uma excelente síntese sobre a matéria e que vos pode ajudar a sistematizar e a compreender esta aula já leccionada. Não deixem de o ver... as memórias visuais e auditivas são importantes...


22º Aula - A Revolução Francesa - Parte II

22ª Aula - A Revolução Francesa - Parte II

Sumário: A Revolução Francesa - continuação. Etapas do poder de Napoleão: do consulado ao império. Consequências da Revolução Francesa.

Aproveito para vos deixar o link para a apresentação em PowerPoint intitulada X - A Revolução Francesa - Parte II.

Bom  trabalho!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

21ª Aula - A Revolução Francesa - Parte I

21ª Aula - A Revolução Francesa - Parte I

Sumário: A Revolução Francesa: a França antes da revolução; a reunião dos Estados Gerais. Do poder popular ao triunfo da burguesia: a Convenção e o Diretório.

Por agora deixo-vos o link para a apresentação em PowerPoint que pode ser consultada em V - A Revolução Francesa - I.

Partilho ainda um documentário muito interessante, do Canal História, sobre esta temática.
Vejam-no. Vão ver que será uma preciosa ajuda!


quarta-feira, 10 de abril de 2013

20ª Aula - A Independência dos EUA

20ª Aula - A Independência dos EUA

Sumário: O nascimento dos EUA: a revolta das colónias, a declaração de independência e a constituição dos Estados Unidos da América de 1787.

Todos estamos recordados que à data da chegada de Cristóvão Colombo à América, em finais do século XV, mais concretamente em1492, o continente americano era já habitado por inúmeras tribos índias. Inicialmente, os colonos europeus tiveram bastantes dificuldades em se fixarem no novo continente, nomeadamente na América do Norte, até pelos ataques dos índios, e só começaram a chegar a esta região, em maior número, a partir do século XVII, vindos da Inglaterra, Escócia e Irlanda.
Em meados do século XVIII já existiam 13 colónias inglesas, todas na costa este, independentes entre si mas ligadas por uma língua comum, o inglês, uma religião comum, o protestantismo, muito embora as colónias do sul fossem mais rurais, com extensas propriedades, as plantações, trabalhadas com recurso à exploração da mão-de-obra escrava e as colónias do norte estivessem mais ligadas à atividade comercial e industrial.
De qualquer modo, existia nas colónias uma burguesia muito empreendedora que se opunha ao Regime de Exclusivo Colonial que obrigava os colonos a só negociarem com Inglaterra, a metrópole.
Ora, os colonos queriam estabelecer outras relações comerciais com outros países e, assim, libertarem-se do espartilho inglês. É claro que havia colonos americanos a contrabandear com África e Antilhas o que lhes permitiu enriquecer e ganhar poder económico. Muitos colonos adotaram os ideais iluministas e aspiravam a uma maior autonomia.
Entretanto a Inglaterra envolveu-se numa guerra com a França - a Guerra dos Sete Anos, travada pela posse das colónias americanas - e, precisando de verbas para fazer face às despesas provocadas pelo conflito, lançou uma série de impostos - lei do açúcar, lei do selo, lei do chá - sobre as colónias que, devido à reação dos colonos, acabou por retirar, com exceção do imposto sobre o chá. Não se esqueçam que quem decidia estas medidas era o parlamento inglês onde não tinha assento nem um único representante das colónias.
Em dezembro de 1773 um grupo de colonos disfarçados de índios destruiu, deitando à água, os carregamentos de chá de três navios ingleses atracados no porto de Boston. Este episódio marca o início da Revolução Americana e ficou conhecido como o Boston Tea Party.
A Inglaterra reage, manda fechar o porto de Boston, destaca para a cidade tropas para controlar a revolta, que vai alastrando a outros pontos das colónias, impõe uma indemnização pelos carregamentos de chá destruídos.
Em 1775 os representantes das treze colónias reúnem-se em congresso, o segundo realizado na cidade de Filadélfia já que o primeiro aconteceu em 1774 ainda não com intenções separatistas, e decidem criar um exército comum comandado por George Washington.
A 4 de julho de 1776 o Congresso volta a reunir e proclama a Independência dos Estados Unidos da América através da Declaração de Independência dos Estados Unidos da América redigida por Thomas Jefferson, independência esta que só vai ser reconhecida pelos ingleses em 1783, após duríssimos combates entre os dois exércitos e em que a fação independentista é ajudada pela França e por Espanha. Este facto serviria de mote e exemplo para outras lutas pela independência que se seguiriam e para outras revoluções liberais.
Em 17 de setembro de 1787 foi aprovada a primeira constituição dos EUA imbuída dos ideais iluministas e que consagrou uma república democrática federativa, a separação dos poderes - legislativo que competia ao Congresso e ao Senado, executivo que competia ao Presidente e judicial que competia aos Tribunais - consagrou ainda a separação entre Igreja e Estado, sendo os EUA um estado laico, e garantiu a liberdade e direitos dos cidadãos perante a lei... se bem que ainda com muitas reservas face aos não direitos das mulheres e dos negros, por exemplo.

A apresentação em PowerPoint intitulada U - A Independência dos EUA já explorada em contexto de sala de aula já está publicada na minha página de recursos a que podeis aceder clicando sobre o link a vermelho.

Deixo-vos também um resumo da história deste período, encontrado no Youtube. De bónus, ainda levam uma música no final... caso gostem, caso vos apeteça escutá-la.

Votos de excelente trabalho!


terça-feira, 2 de abril de 2013

19ª Aula - O Barroco


Igreja de S. Domingos - S. Gonçalo - Amarante
Fotografias de Anabela Matias de Magalhães
 
19ª Aula - O Barroco - A Aula do Professor Miguel Moreira

É com imensa alegria que hoje publico a Aula do Professor Miguel Moreira subordinada ao tema "O Barroco".

Agradecida, Miguel Moreira, por aceitares os meus desafios. O círculo, este, está agora fechado. Mas nós somos capazes de desenhar outros...

O BARROCO
Toda a expressão artística é reflexo das dinâmicas sociais e um produto mental e cultural da época histórica em que surge. O Barroco não é exceção. Iniciada nos finais do século XVI e desenvolvida ao longo dos séculos XVII e XVIII, a arte barroca surge num ambiente dominado pela consolidação das grandes monarquias absolutas, pelo movimento da contrarreforma da Igreja Católica e num mundo abalado por todo o tipo de guerras, epidemias e convulsões sociais. Neste contexto, o barroco é aproveitado tanto pelos monarcas absolutistas para valorizarem a sua imagem e ostentarem o seu poder, mandando construir imponentes e luxuosas cortes, como pela Igreja Católica empenhada em seduzir os crentes que, sobretudo nos países nórdicos, aderiam em massa ao protestantismo. A arte é, desta forma, instrumentalizada e manipulada, por papas e reis, com o objetivo de persuadir, deslumbrar e seduzir.
Nascido em Itália, nos finais do século XVI, a partir de formas maneiristas, o Barroco rapidamente se espalhou a todos os países da Europa do sul, atingindo, também, as colónias espanholas e portuguesas da América Latina e do sul da Ásia.
Roma, sede do Papado, representava, também, o triunfo do catolicismo face à Reforma Protestante. Com esse objetivo, o Papa Sisto V (1585-1590) criou uma cidade-espetáculo na qual a linguagem barroca respondia plenamente aos desígnios do poder papal e das orientações tridentinas. Com intervenções de arquitetos como Bernini e Barromini, as novas construções, distantes da ordem, do equilíbrio e da regularidade da composição renascentista, experimentavam jogos de massas e de espaços, formas onduladas e dinâmicas e uma decoração exuberante e cenográfica, com o único propósito de deslumbrar o observador e despertar-lhe fortes impactos emocionais.
Apesar das diferentes interpretações que se verificaram nos diferentes países e regiões, determinadas por diferentes contextos políticos, religiosos e culturais, este estilo apresentou algumas características comuns. Assim, os arquitetos barrocos, entendendo o edifício de forma integrada, como se fosse uma grande escultura, única e indivisível, davam preferência às linhas curvas, em formas côncavas ou convexas, explorando os efeitos contrastantes de luz e de sombra, na procura do movimento e do infinito. Os portais, normalmente divididos por andares, com as suas colunas torsas ou pseudo-salomónicas, os contrastes entre cheios e vazios, os entablamentos interrompidos e irregulares, as imagens inseridas nos seus nichos, os frontões de linhas curvas e uma decoração exuberante, eram pensados e construídos no quadro de uma vivência e de uma sensibilidade vocacionadas para a teatralidade, capazes de atrair pelo olhar, de persuadir pela beleza, de emocionar e de envolver os fiéis.
Mas foi nos interiores que o barroco mais impressionou. O Barroco, numa espécie de “horror pelo vazio”, cobriu os interiores de frescos, de telas, de mármores policromados, de esculturas, de retábulos e de talha dourada, contribuindo desta forma para a profusão da cor e para o prazer dos sentidos.
Ora, foi precisamente a talha dourada a mais genuína e característica arte do Barroco em Portugal. Muito prolixa e exuberante, a talha revestiu altares, paredes, tetos, órgãos, púlpitos, cadeirais, balaustradas, arcos, frisos, cornijas, janelas e sanefas. A talha “forrou de ouro” as igrejas. E, “Se a Igreja é a imagem do Céu sobre a Terra, como não ornamenta-la com o que há de mais precioso?” pergunta René Huyghe, em “Sentido e Destino da Arte”.
A talha dourada é uma técnica escultórica em que a madeira é esculpida e, posteriormente, revestida por uma fina película de ouro. A sua execução implicava a participação de vários artistas: o arquiteto, que fazia o desenho, o entalhador, que esculpia a madeira, o ensamblador, que preparava a madeira para receber o ouro e, por fim, o dourador, que aplicava o ouro.
Depois de concluídas, as obras de talha dourada, sobretudo os retábulos, codificam uma linguagem simbólica e alegórica que ultrapassa a sua função meramente decorativa ou cenográfica e assumem um papel ativo na interação com o observador. Nesta pedagogia formal e cenográfica, o brilho e a cor do ouro desempenhavam um papel determinante, não só pelo seu impacto visual, mas especialmente pelo seu simbolismo, pois imprimiam essência divina ao espaço, numa espécie de prefiguração da esfera celestial. Um apelo mais aos meios de perceção sensorial, imaginativa e afetiva dos fiéis, do que às suas faculdades intelectuais, procurando, assim, através da eloquência das formas e das cores, envolver e persuadir sensorial e emocionalmente os fiéis, sobretudo as massas populares.
Na evolução da talha portuguesa, podemos distinguir três fases:
O Estilo Nacional, com retábulos compostos de uma tribuna com o seu trono piramidal, ladeado por colunas pseudo-salomónicas de fuste espiralado que sustentam arcos concêntricos. Como motivos ornamentais, quase de vulto perfeito, apresentam-se folhas de videira e cachos de uvas (alusão à Eucaristia), meninos e querubins, pequenos pássaros (fénix, símbolo da ressurreição) e folhas de acanto. Dos lados, a composição é rematada por pilastras, mísulas e outros elementos que enfatizam a estrutura retabular.
O Estilo Joanino (a talha atinge o seu apogeu na época de D. João V), com retábulos mais elevados, baldaquinos que substituem os arcos concêntricos e colunas salomónicas. O trono mantém o lugar cimeiro, agora tratado com mais aparato. A decoração inclui novos elementos: grinaldas, palmas, conchas, medalhões, festões, volutas com cabeças de querubins e figuras angélicas ou alegóricas. Para o esquema teatral muito contribuem as imagens inseridas nos seus nichos, os atlantes na base dos retábulos, cortinados nos remates puxados por anjos, sanefas que coroam o arco cruzeiro.
O Estilo Rocaille ou Rococó, termo de origem francesa que designava um tipo de ornamentação inspirada nas fontes e grutas artificiais dos jardins, baseada na imitação de rochas, conchas, flores e outros elementos naturais. Na talha, a sua linguagem decorativa é feita por formas flamejantes, folhas estilizadas, curvas e contracurvas, enlaçamentos de volutas, ornatos complicados e de grande requinte, inseridos num fundo com cores esbatidas a lembrar influências orientais.
Mas o Barroco não foi apenas um estilo arquitetónico. Ele influenciou transversalmente todas as formas de expressão artística e cultural da sua época: a escultura, a pintura, o mobiliário, a literatura, a música, a dança…
A escultura, associada à arquitetura ou à pintura, colocada isoladamente em praças e jardins, invadiu tudo, encontrando-se por todo o lado. Caracteriza-se pelo rigor da execução técnica, pela exploração das capacidades expressivas das personagens ou cenas, conseguida pela acentuação dos gestos e das expressões faciais e corporais, pela preferência de representações em movimento, pela utilização de panejamentos volumosos, agitados e decompostos, e pelo sentido cénico das obras.
Tal como a arquitetura e a escultura, também a pintura teve como objetivo o deslumbramento, a surpresa, a encenação e a luz, integrando um “espetáculo” que se queria total. A pintura barroca jogou com as formas fluidas e ondulantes, aplicou um animado cromatismo e acentuou os contrastes de luz e sombra, aumentando a sensação de realismo. Acentuou, ainda, a sensação de profundidade, sobretudo com a técnica “trompe l’oeil”, aplicada em paredes e tetos, o que constitui uma das mais originais contribuições do Barroco.
A literatura barroca dedicou um profundo cuidado à forma e ao virtuosismo linguístico no intuito de maravilhar e convencer o leitor, com o uso constante de figuras de linguagem e outros artifícios retóricos, como a metáfora, a elipse, a antítese, o paradoxo e a hipérbole, com grande atenção ao detalhe e à ornamentação como partes essenciais do discurso e como formas de demonstrar erudição e bom gosto.
Expressão, por excelência, dos sentidos e das emoções intensas, foi na música, no teatro e na ópera que a cultura barroca alcançou todo o seu esplendor. O gosto pelo espetáculo, pela cenografia, pela sumptuosidade dos figurantes, pela associação da música com a dança, com o canto e com a representação dramática deram origem a um género musical tipicamente novo – a ópera.
Concluindo, o Barroco foi, por excelência, uma arte de imagens, uma arte de cenografia, no qual todas as expressões artísticas concorrem para um único objetivo: produzir espetáculo.
Miguel Moreira, Abril de 2013
Nota - Esta aula foi  inicialmente publicada no meu outro blogue intitulado "História em Movimento".

Acrescento um vídeo que faz uma excelente síntese sobre o Barroco. Está em espanhol, o que para as turmas que aprendem esta língua constitui um excelente exercício... para as outras também não levantará, por certo, qualquer problema e compreenderão tudo o que aqui é explicado.


Por último, deixo-vos um link que vos levará a uma das mais belas igrejas barrocas do mundo: Igreja de S. Francisco, em S. Salvador da Bahia, no Brasil. Clique aqui.
Espero que gostem da viagem...