Todo o trabalho partilhado neste blogue pode ser visionado, consultado e utilizado, mas, por favor, não apague os créditos de um trabalho que é meu. E não plagie. O plágio é uma prática muito feia. Se entender contactar-me o meu e-mail é anabelapmatias@gmail.com
Agradeço aos autores dos vídeos a sua partilha, generosa, no Youtube. Sem esta partilha, as minhas postagens ficariam mais pobres.

sábado, 28 de abril de 2012

26ª Aula - A Nova Vaga de Invasões

26ª Aula - A Nova Vaga de Invasões

Sumário: A segunda vaga de invasões: muçulmanos, normandos e húngaros.

Os árabes são originários da Península Arábica e era aí que viviam num território caracterizado por ser um enorme deserto, uma extensão do Sahara, ponteado aqui e ali por oásis. As tribos que aí habitavam, sem unidade política, eram maioritariamente nómadas, dedicando-se à criação de gado e ao comércio de produtos vindos do Oriente que faziam chegar às margens do Mediterrâneo através das rotas caravaneiras que atravessavam o deserto arábico de lés a lés. Nos oásis havia populações sedentárias que praticavam a agricultura e a criação de gado. Tinham em comum o facto de serem politeístas e adoravam forças da natureza, pedras, fontes, astros.
E foi neste contexto que nasceu Maomé, por volta do ano 570, na cidade de Meca, atualmente a primeira cidade santa do Islão, situada na Arábia Saudita. Maomé cresceu e dedicou-se ao comércio, entrando em contacto com as duas religiões reveladas por Deus - o Judaísmo e o Cristianismo - e, aos 40 anos, numa gruta do monte Hira, o anjo Gabriel revelou-lhe a palavra de Alá, Deus, que viria a ser transcrita para o Corão, livro sagrado para todos os muçulmanos e o livro equivalente à Bíblia para os Cristãos.
Maomé começou a pregar a nova religião mas o seu monoteísmo colidiu com o politeísmo praticado pelos árabes e, em 622, Maomé foge, por razões de segurança, de Meca para Medina, por este facto segunda cidade santa do Islão, igualmente na Arábia Saudita atual. Em árabe, hégira significa fuga e esta data que marca o tempo no calendário árabe sendo o equivalente ao nascimento de Cristo no nosso calendário. Mais tarde, Maomé ou Mohammed, regressa a Meca e após a sua morte os seus sucessores, os califas, vão continuar a pregar o islamismo, com grande êxito, já que esta religião, baseada em cinco pilares - na crença de um Deus único e em Maomé como profeta maior; na obrigatoriedade de rezar cinco vezes ao dia; em cumprir o jejum do mês do Ramadão; obrigação da caridade e da esmola aos necessitados e em cumprir a hadj, peregrinação a Meca, pelo menos uma vez na vida, vai-se expandir muito rapidamente até pelo desejo de espalhar a nova religião, a djihad ou guerra santa e pelo desejo de encontrar terras mais férteis do que as existentes na Península Arábica. Assim, os árabes muçulmanos vão-se expandindo para oriente e para ocidente e ocupam todo o Norte de África onde vão islamizar os povos berberes que aí habitavam.

 A segunda vaga de invasões que assolou a Europa do Sul, teve a origem no Norte de África, no ano de 711 . Os muçulmanos, comandados por Tarik, e a pedido de uma das fações visigodas que lutava pelo poder na Península Ibérica, invadiu-a e, perto do rio Guadalete, aconteceu o primeiro confronto entre o exército cristão e muçulmano na batalha que ficou conhecida pelo nome de Batalha de Guadalete, batalha esta ganha pelos muçulmanos. A progressão dos muçulmanos na Península Ibérica foi muito rápida, até porque o poder dos visigodos encontrava-se, à época, enfraquecido e fragmentado e os árabes chegam mesmo a penetrar no território dos Francos, atual França, onde foram travados, em 732, na Batalha de Poitiers, pelo exército franco liderado por Carlos Martel.

Entretanto, mais a Norte, a partir do século VIII e até ao século XI, atacavam os Normandos ou Vikings, originários da península da Escandinávia que atacavam preferencialmente as cidades costeiras no Norte da Europa semeando o pânico e a destruição.
A partir do século IX, povos oriundos da Ásia, os húngaros ou magiares, atacam vindos do leste e chegam a território franco espalhando por sua vez a destruição e a morte, contribuindo para o medo e sentimento de insegurança generalizado entre os europeus. Os húngaros vão acabar por se fixar junto ao rio Danúbio, na atual Hungria.
Esta nova vaga de invasões veio perturbar o equilíbrio, ainda muito instável e precário, dos novos reinos cristãos resultantes da primeira vaga de invasões bárbaras que destruiu o Império Romano do Ocidente originando uma fragmentação do poder político, visível ainda hoje, apesar da UE.

A apresentação em PowerPoint explorada em contexto de sala de aula já está reformulada e partilhada em T - O Novo Mapa da Europa - Invasões árabes, vikingues e húngaras.
Deixo-vos ainda dois vídeos síntese, por isso curtinhos, e ainda outro um pouco mais longo mas muitíssimo interessante sobre o Islamismo. Vejam-nos atentamente aproveitando, assim, para consolidar os conhecimentos adquiridos em contexto de sala de aula e aproveitando igualmente para consolidar conhecimentos de EMRC.
Deixo-vos ainda um vídeo sobre os Vikings. Não deixem de aprofundar os vossos conhecimentos sobre este povo guerreiro e lendário.
Podem e devem ainda realizar os questionários do vosso manual e já sabem, qualquer dúvida que surja... estou inteiramente disponível para os esclarecimentos devidos via face, mail, messenger... o que for.
Votos de excelente trabalho!








segunda-feira, 23 de abril de 2012

25ª Aula - As Invasões Bárbaras e o Novo Mapa da Europa

25ª Aula - As Invasões Bárbaras e o Novo Mapa da Europa

Sumário: A primeira vaga de invasões - as invasões bárbaras e o novo mapa político da Europa. O papel evangelizador da Igreja Católica no ocidente europeu.

Os germânicos ou germanos, povos de origem indo-europeia a quem os romanos depreciativamente chamavam bárbaros, viviam fora das fronteiras do império romano, para além dos rios Reno e Danúbio. Eram povos bastante mais atrasados e rudes do que os romanos, viviam em aldeias, dedicavam-se à agricultura, à criação de gado, à metalurgia e à guerra. A partir do século II os bárbaros começaram a instalar-se dentro do império romano, mais ou menos pacificamente, mais ou menos tolerados pelos romanos, chegando até a integrar o exército romano.
A partir de finais do século IV, pressionados pelos Hunos que se deslocavam da Ásia Central para Ocidente, os bárbaros irromperam violentamente pelo Império adentro, onde encontraram apoio junto dos seus, provocando o caos, a destruição, a violência e a morte. Em 395, o Império é dividido em dois - Império Romano do Ocidente e Império Romano do Oriente. A queda de Roma, em 476, tem como maior consequência a queda do Império Romano do Ocidente. O Império estava ferido de morte, o poder político central desaparecera, as populações estavam quase completamente indefesas, não fora a proteção dos membros do clero. Entretanto, os bárbaros - Vândalos, Suevos, Visigodos, Ostrogodos, Burgúndios, Anglos, Saxões, Francos... vão-se acomodando dentro dos territórios que antes fizeram parte do Império Romano dando origem aos reinos bárbaros que, por sua vez, dão origem à Europa que hoje conhecemos - a Europa das Nações. Aqui, na Península Ibérica, vão surgir dois importantes reinos - o Suevo e o Visigodo. Este último anexará, posteriormente, o reino suevo.
As relações entre conquistados e conquistadores são inicialmente difíceis. Os bárbaros não falam latim, não professam o cristianismo, não se esqueçam que esta era já a religião oficial do Império desde 380, não têm os mesmos usos e costumes... mas, com o tempo, vão acabar por se aproximar entre si, invadidos e invasores, quer através de casamentos mistos, quer através da ação dos membros da Igreja Católica, nomeadamente dos seus bispos que vão encetar a tarefa de evangelização destes povos pagãos.
O primeiro rei bárbaro a converter-se ao cristianismo foi o rei dos Francos, Clóvis, em 496,
posteriormente converte-se Recaredo, rei dos Visigodos e Teodemiro, rei dos Suevos, que, dando o exemplo aos seus súbditos, vão acelerar o processo de conversão ao cristianismo por parte desta população vitoriosa, esbatendo diferenças entre conquistados e conquistadores e contribuindo para a sua fusão.
As ordens religiosas desempenharam um importantíssimo papel na evangelização, nomeadamente a Ordem de S. Bento, fundada no Monte Cassino, em Itália, em 529.
Esta ordem devia ser autosuficiente, atenção ao significado desta palavra!, e os seus membros deviam realizar trabalho manual, intelectual, para além da obrigação primeira que era o dever da oração.  Desbravaram florestas, cultivaram campos, dedicaram-se à produção artesanal, para além de fundarem escolas, bibliotecas e copiarem livros, os chamados manuscritos. Desempenharam, pois, um importante papel do ponto de vista económico e cultural.

Na próxima aula abordaremos a segunda vaga de invasões que vai contribuir para mais insegurança vivida e sentida um pouco por toda a Europa Ocidental.
Por agora deixo-vos com a minha apresentação em PowerPoint intitulada S - O Novo Mapa da Europa, Invasões Bárbaras.
Deixo-vos ainda quatro vídeos curtinhos, mas muito interessantes, sobre as invasões bárbaras que selecionei para vocês no Youtube. Não deixem de os ver! Acho que vão gostar. O último trata especificamente o caso da Península Ibérica.
Ah! E vão estando atentos aos meus sublinhados... como sabem, é uma técnica de estudo utilizada por muitos, por mim também...
Bom trabalho a todos!








sexta-feira, 20 de abril de 2012

24ª Aula - O Cristianismo

24ª Aula - O Cristianismo

Sumário: Origem, princípios e difusão do Cristianismo. De religião perseguida a religião oficial do Império Romano.

A última aula sobre o Cristianismo versou sobre algumas matérias por vós já mais do que aprendidas na Catequese e nas aulas de EMRC.
De facto, quem não sabe que Jesus Cristo, filho de Maria e de Deus (para quem o reconhece como filho de Deus)nasceu em Belém, na província romana da Judeia, ao tempo do primeiro imperador de Roma, Octávio Augusto?
Quem não sabe que os Judeus, antigos Hebreus, monoteístas, aguardavam a vinda de um Messias que salvaria e engrandeceria Israel e o seu povo?
Quem não sabe que Jesus começou a pregar aos 30 anos uma mensagem original e revolucionária baseada no amor ao próximo, no perdão, na solidariedade e na caridade, na igualdade de todos os homens perante Deus, mensagem que Jesus dirigiu a toda a Humanidade? E que os dirigentes Judeus o encararam como um impostor, um agitador, tendo sido condenado, aos 33 anos, ao martírio e à morte por crucificação pelo Sinédrio, Grande Conselho Judaico, sentença confirmada pelo governador romano da província, Pôncio Pilatos?
Todos estes factos são conhecidos, até pelos inúmeros filmes que sobre esta temática foram sendo realizados ao longo dos tempos sobre um tema que, desde sempre, apaixonou os homens.

Talvez não saibais é que inicialmente o Cristianismo até foi aceite pelos romanos, num império profundamente politeísta e permissivo, mas que rapidamente passou a religião perseguida pelo facto dos seus princípios colidirem com princípios fundamentais romanos como o politeísmo e o culto ao imperador - os cristãos recusavam praticar outros cultos pois só prestavam culto a Deus - e colidirem com o fundamento da economia e sociedade romana, profundamente esclavagista, enquanto os cristãos defendiam a igualdade e o respeito entre todos os homens, sem exceção.
As perseguições aos cristãos foram, por vezes, ferozes destacando-se as perseguições movidas por Nero, Domiciano, Adriano e Diocleciano e muitos cristãos encontraram a morte nas arenas, por exemplo do emblemático Coliseu de Roma, em espetáculos sangrentos e violentos tão do agrado dos romanos e dos quais, ainda hoje, subsistem reminiscências desta violência nas touradas.
Durante séculos os cristãos, quais toupeiras, escavaram túneis e câmaras no subsolo, as catacumbas, onde praticavam o culto e sepultavam os seus mortos, segundo os rituais cristãos, longe dos olhares dos seus perseguidores.
Em 313, o imperador Constantino concedeu liberdade religiosa a todos os habitantes do império, através do Edicto de Milão, e os cristãos, depois de séculos de perseguições mais ou menos violentas, puderam finalmente abandonar os subterrâneos e praticar o culto à superfície. Evidentemente, só a partir desta data é que surge a arquitetura cristã com a edificação das primeiras igrejas e batistérios que até aí, por razões de segurança, eram inexistentes.
Em 380, o imperador Teodósio, através do Edicto de Tessalónica, impõe o cristianismo como a religião oficial do Império Romano.
O cristianismo vai influenciar profundamente a vida no período medieval, matéria que abordaremos já na próxima aula. Aliás, o cristianismo ainda hoje influência profundamente a nossa vida... lembrem-se das cerimónias religiosas da Páscoa...

Como de costume, podeis consultar a apresentação em PowerPoint na minha página de recursos, onde está partilhada com o nome - R - Cristianismo, apresentação que já foi reformulada para este ano letivo.

E agora, para vos ajudar a decifrar o cristianismo... uma excelente e empolgante série divulgada pelo canal Odisseia.