Todo o trabalho partilhado neste blogue pode ser visionado, consultado e utilizado, mas, por favor, não apague os créditos de um trabalho que é meu. E não plagie. O plágio é uma prática muito feia. Se entender contactar-me o meu e-mail é anabelapmatias@gmail.com
Agradeço aos autores dos vídeos a sua partilha, generosa, no Youtube. Sem esta partilha, as minhas postagens ficariam mais pobres.

sábado, 27 de outubro de 2012

5ª Aula - A Expansão Portuguesa no Período Henriquino

5ª Aula - A Expansão Portuguesa no Período Henriquino

Por agora apenas a apresentação em PowerPoint, já reciclada, que podem consultar em E - A expansão portuguesa no tempo do Infante D. Henrique.

Em 1418 João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira chegaram à ilha de Porto Santo e no ano seguinte, em 1419, João Gonçalves Zarco, Tristão Vaz Teixeira e Bartolomeu Perestrelo à ilha da Madeira.
Em 1427 Diogo de Silves chegou aos Açores, ao grupo oriental,composto pelas ilhas de Santa Maria e de S. Miguel. A partir de 1431, Gonçalo Velho Cabral terá feito o reconhecimento de todo o grupo central composto pelas ilhas Terceira, S. Jorge, Faial, Graciosa e Pico e, em 1452, Diogo e seu filho João de Teive partiram do Faial e chegaram ao grupo ocidental, o mais afastado da nossa costa continental, composto pelas ilhas das Flores e do Corvo.
Os arquipélagos da Madeira e o dos Açores não eram completamente desconhecidos à data da chegada dos navegadores portugueses já que algumas ilhas apareciam referenciadas em mapas anteriores aos das datas oficiais de "descoberta" e muito provavelmente as ilhas teriam sido visitadas desde a antiguidade.
Os dois arquipélagos estavam desabitados, tinham um clima ameno, chuvas abundantes, terras férteis e mar rico em peixe e marisco o que facilitou o povoamento e exploração.
As ilhas, doadas pela coroa ao infante D. Henrique, foram divididas em capitanias e entregues a capitães-donatários, senhores à maneira feudal, que administravam as capitanias, tinham monopólios no comércio de certos produtos e exerciam a justiça nas suas terras e que tinham como missão povoar e explorar os territórios das suas capitanias ou donatarias.
Na ilha da Madeira, inicialmente explorou-se a madeira, tão abundante que lhe deu o nome, praticou-se a pesca, a apanha de marisco e foram introduzidos os cereais, os legumes variados, a cana de açúcar e a vinha.
Nos Açores explorou-se a urzela, o pastel, a madeira, praticou-se a pesca e a apanha de marisco e introduziram-se os cereais, a cana de açúcar, os legumes e a criação de gado.
Os arquipélagos foram povoados essencialmente com gente do continente a que acresce, no caso dos Açores, colonos oriundos da Flandres.
Entretanto a exploração da costa africana prossegue para sul e em 1434 Gil Eanes, a bordo duma barca, dobra o cabo Bojador, no atual Sahara Ocidental, território atualmente ocupado por Marrocos, zona de navegação perigosa devido à existência de bancos de areia ou baixios, correntes marítimas e ventos fortíssimos que levantam as areias do deserto provocando, por vezes, falta de visibilidade total. Mas para além destes perigos, reais, do lado de lá do referido cabo os navegadores portugueses não haveriam de encontrar dragões, sereias, não veriam a água do oceano ferver e não encontrariam, no continente africano, negros sem cabeça e com o rosto embutido no tronco, homens só com um pé gigante ou só com um olhos no meio da testa...
Entretanto, em 1437 dá-se o desastre de Tânger. A expedição era comandada por D. Henrique e D. Fernando mas a conquista não foi bem sucedida e os muçulmanos só deixaram retornar os portugueses ao reino com a garantia da entrega de Ceuta e o Infante D. Fernando feito prisioneiro e refém até se efectivar a entrega da referida praça, o que não chegou a acontecer. D. Fernando morreu no cativeiro, em Fez, depois de anos de privações e sofrimentos.
Em 1443 Nuno Tristão chega a Arguim, onde, em 1445, os portugueses edificaram a primeira feitoria que haveria de servir de modelo a construções posteriores, como a feitoria de S. Jorge da Mina.
Em 1456 Cadamosto descobre o arquipélago de Cabo Verde, desabitado, mas que não tem tão boas condições naturais para a fixação das populações como os anteriormente estudados, pois tinha um clima quente e seco, falta de água e solos inférteis, daí que o povoamento e a sua exploração vão ser muito lentos.
Em 1460, Pedro de Sintra chega à Serra Leoa e nesse mesmo ano morre o Infante D. Henrique. Com o seu desaparecimento termina o período henriquino da expansão portuguesa, período durante o qual é a figura do D. Henrique que lidera, impulsiona e financia as descobertas.
Não se esqueçam do seu lema de vida: "Talent de bien faire". Adotem-no!

Deixo-vos,como sempre, a apresentação em PowerPoint explorada em contexto de sala de aula e já reciclada e que podem consultar em E - A expansão portuguesa no tempo do Infante D. Henrique.

Relembro que a matéria para o teste sai até esta aula, apenas com mais o acrescento do contrato de arrendamento entre D. Afonso V e Fernão Gomes. Estudem!

Por último, deixo-vos um vídeo bastante interessante, da Telescola, sobre a Madeira e os Açores.


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

4ª Aula - A Conquista de Ceuta

4ª Aula - A Conquista de Ceuta

Sumário: Razões da conquista de Ceuta e o fracasso económico dessa conquista.
O papel do infante D. Henrique na expansão portuguesa.

Na última aula falámos das razões, várias, que determinaram a escolha de Ceuta como primeira praça a conquistar, pelos portugueses, em todo o continente africano.
A cidade de Ceuta, importante porto de pesca à época, ficava, e fica, num local estratégico do ponto de vista geográfico - situada no norte de África, numa posição costeira privilegiada sobre o estreito de Gibraltar donde se podia controlar toda a navegação que circulava entre o Mediterrâneo e o Atlântico, daí partia a pirataria moura que assolava a costa algarvia e nos acarretava pesadas perdas e prejuízos diversos em homens e bens, na atividade piscatória e no comércio. Para além das razões já expostas, Ceuta era ponto de chegada das rotas caravaneiras oriundas do centro de África, que traziam ouro, especiarias e escravos. Acresce ainda que a região à volta de Ceuta era muito fértil e produzia cereais em abundância, especialmente trigo, de que o reino de Portugal era carente. Se as razões anteriormente apontadas são de carácter económico ainda podemos apontar uma outra de caráter religioso - os muçulmanos eram inimigos da fé cristã e era conveniente enfraquecer o seu poder.
No dia 25 de Julho de 1415 partiu de Lisboa uma poderosa armada composta por duzentas embarcações, comandada pelo próprio rei D. João I. A bordo vão ainda três dos seus filhos, os infantes D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique.
A expedição foi um êxito militar já que, no dia 21 de Agosto, a cidade de Ceuta foi conquistada e, logo no dia seguinte, o rei D. João I armou cavaleiros os seus três filhos, numa cerimónia realizada numa antiga mesquita transformada em igreja. Mas a conquista revelar-se-ia um fracasso do ponto de vista económico pois a cidade, cristã, ficou isolada num contexto muçulmano, os muçulmanos desviaram as rotas comerciais e Ceuta deixou de receber os produtos tão cobiçados pelos portugueses, principalmente o ouro, necessário para a cunhagem de moeda; as terras à volta de Ceuta foram abandonadas devido aos ataques de um e de outro lado e deixaram de produzir o tão necessário trigo... na verdade a situação era tão grave que os habitantes de Ceuta eram abastecidos de alimentos a partir de Lisboa.
Quanto ao infante D. Henrique, nascido na cidade do Porto em 4 de Março de 1394, direi apenas que liderou a expansão portuguesa desde 1416 até à sua morte, em 1460. O restante da sua biografia... espero eu descobrir com os vossos trabalhos de pesquisa sobre este personagem de primeira água que se destacou na nossa história coletiva.

A apresentação em PowerPoint explorada na sala de aula tem o nome de D - A Conquista de Ceuta, pf não deixem de a consultar.

E agora deixo-vos com alguns vídeos interessantes sobre este fascinante período da nossa história:

Aqui vos deixo o Infante D. Henrique e a Expansão portuguesa.



E aqui uma aulinha antiga, mas ainda atual, em que podereis rever alguns dos assuntos que abordámos e explorámos em contexto de sala de aula e outros que ainda abordaremos...


terça-feira, 16 de outubro de 2012

3ª Aula - Condicionalismos da Expansão

3º Aula - Condicionalismos da Expansão

Sumário: Os condicionalismos da expansão europeia e a busca de novas rotas comerciais. Condições da prioridade portuguesa na expansão europeia.

A partir do século XV a vida na Europa voltou a melhorar: o clima melhorou, aumentaram as produções e a população, o comércio reanimou principalmente no Mediterrâneo e no Báltico e surgiu uma necessidade cada vez maior de ouro e de prata, necessários para cunhar a moeda que circulava cada vez mais abundantemente.
As principais rotas comerciais terrestres que atravessavam o continente asiático e africano estavam nas mãos dos muçulmanos que detinham grande parte dos lucros deste comércio
Em 1453 os Turcos conquistaram Constantinopla, caiu o Império Romano do Oriente, ou Bizantino e os Turcos avançaram sobre o norte de África dificultando a chegada dos produtos de luxo à Europa.
Em Portugal continuava a haver falta de cereais mas o comércio reanimava-se, o que exigia cada vez mais ouro para cunhar a moeda indispensável aos pagamentos devidos pelas transações comerciais, nomeadamente para pagar as importações de produtos de luxo, tão apreciados no reino. Era necessário chegar às regiões produtoras de ouro e especiarias...
Ceuta foi conquistada em 1415 e marcou o início da expansão portuguesa e europeia. Mas o que explicou esta prioridade portuguesa na expansão?
Por um lado, Portugal tinha uma costa extensa, bons portos naturais e uma localização estratégica entre o Mediterrâneo e o Atlântico. Por outro lado tinha excelentes recursos naturais uma vez que tinha população familiarizada com o mar, quer devido à pesca, quer devido ao comércio marítimo. Os marinheiros conheciam o astrolábio, o quadrante, a balestilha e a bússola. Praticavam a navegação astronómica, em alto mar, orientando-se pelos astros. Tinham bons conhecimentos de cálculo matemático e astronomia.
Para além disto, D. João I tinha pacificado o reino e reforçado o poder real e tinha-se rodeado por quadros novos que o ajudavam na governação, provindos principalmente da burguesia e da baixa nobreza. A mentalidade era outra, mais dinâmica e arrojada, mais motivada para o trabalho, o risco, o lucro.
Para além das razões anteriormente apontadas, o espírito de cruzada mantinha-se vivo.
Enfim, toda a sociedade portuguesa tinha interesses na expansão: o povo queria melhorar a sua vida, ter mais oportunidades de emprego, a burguesia queria ter acesso a novos produtos aumentando os seus lucros, o clero queria aumentar as suas rendas e domínios e expandir a fé cristã, a nobreza estava desocupada da sua principal função e queria fazer a guerra, combater e finalmente a coroa queria aumentar o seu prestígio social, principalmente a nível externo.
De notar que, no início do século XV, à data do início da expansão portuguesa, os europeus só conheciam cerca de 1/4 do globo terrestre e as representações das terras conhecidas estavam cheias de incorreções. Ora os portugueses vão contribuir enormemente para o conhecimento planetário, como veremos nas próximas aulas.

A apresentação explorada em contexto de sala de aula está no sítio do costume arquivada com o nome C - Condicionalismos da expansão.

Entretanto ainda não encontrei qualquer vídeo adequado, sobre esta matéria, no Youtube... se encontrar colocarei aqui mesmo, não duvidem!

E agora, votos de bom trabalho!

domingo, 7 de outubro de 2012

Trabalho - Ecos Blogosféricos

Trabalho - Ecos Blogosféricos

É com orgulho que vos informo que temos ecos das nossas aulas aqui.

Esclarecimento Diapositivos Crise de 1383/85

Loudel de D. João I - Batalha de Aljubarrota - 14 de Agosto de 1385
Fotografia de Anabela Matias de Magalhães
 
Esclarecimento Diapositivos Crise de 1383/85

Queridos alunos,

vós bem sabeis que eu sou irrequieta... e assim sendo acabei de alterar a apresentação em PowerPoint, já explorada em contexto de sala de aula, B - A Crise de 1383/85. Acrescentei-lhe um diapositivo novo, o número 19, que não interfere com a estrutura e com o conteúdo da aula sendo "apenas" um acrescento à vossa cultura geral. Quanto ao diapositivo 18 apenas alterei as fotografias, agora todas da minha autoria.
Deixo aqui a informação que não deixarei de partilhar convosco durante a próxima semana, durante as aulas de História.
Até lá... bom trabalho!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Portefólio

Trabalho de Aluno Muito Criativo - Amarante
Fotografia de José Miguel Alves Pereira
 
Portefólio

Meus queridos alunos,

como sabeis, a apresentação em PowerPoint sobre o que é um portefólio, para que serve e como fazer estava-vos prometida desde que o ano lectivo começou.
Devo-vos dizer, e para quem não sabe, que esta apresentação resultou de uma parceria feliz sem a qual o meu trabalho não estaria tão dignificado.
Aqui deixo os meus agradecimentos ao Zé, pela sua criatividade e pela sua generosidade em partilhar o seu trabalho comigo/convosco!
Se tiverem dúvidas, sobre como organizar o vosso portefólio de história, não há que saber, podem agora consultar o modelo partilhado com o nome AA - Portefólio de História e que pretende ser apenas uma orientação para o vosso trabalho que se quer limpo, organizado e belo.
Votos de bom trabalho!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

2ª Aula - A Crise de 1383-85

2ª Aula - A Crise de 1383-85

Sumário: O Tratado de Salvaterra de Magos. A morte de D. Fernando, último rei da dinastia afonsina, e a crise de 1383/85. A subida ao trono de D. João I, primeiro rei da segunda dinastia ou dinastia de Avis.

Como estão recordados, na última aula falámos do rei D. Fernando e do seu envolvimento em três guerras com Castela, as chamadas guerras fernandinas, todas perdidas para Castela e que causaram ainda mais empobrecimento ao reino, já a braços com enormes dificuldades económicas, demográficas, sociais.
Em 2 de abril de 1383 foi assinado um complexo tratado entre D. Fernando, rei de Portugal, e o rei D. João I de Castela, o Tratado de Salvaterra de Magos, que estipulava o casamento da filha única de D. Fernando e de Dona Leonor de Teles, Dona Beatriz, com D. João I de Castela. Estipulava ainda que, à morte de D. Fernando, se não houvesse herdeiro varão, Dona Leonor de Teles ficaria regente até Dona Beatriz ter um filho com catorze anos, em posição de assumir os destinos do trono português.
A 30 de abril, Dona Beatriz casou com D. João I e, a 22 de outubro, D. Fernando morreu abrindo em Portugal uma crise política devido ao problema da sucessão.
A rainha viúva, dona Leonor de Teles, assumiu a regência do trono português mas rapidamente surgiram as primeiras revoltas contra esta rainha não amada pela generalidade do povo, entre outros motivos pela influência que sobre ela tinha o Conde João Fernandes Andeiro, nobre galego seu conselheiro.
Os acontecimentos precipitaram-se e, a 6 de dezembro, Álvaro Pais chefia uma conspiração para matar o conde. D. João, Mestre de Avis, filho ilegítimo do rei D. Pedro e meio irmão de D. Fernando, entra no Paço da Rainha com um grupo de conspiradores e mata o conde. Dona Leonor foge para Santarém e dali envia um mensageiro à corte de castela solicitando ajuda ao seu genro, D. João I.
A sociedade portuguesa divide-se em duas fações - o povo, a burguesia, o baixo clero e a baixa nobreza apoiam o Mestre de Avis enquanto a alta nobreza e o alto clero apoiam os interesses e pretensões de Castela.
Entretanto, a 15 de dezembro de 1383, em Lisboa, reúne uma assembleia popular que elege o Mestre de Avis "Regedor e Defensor do Reino".
Em janeiro de 1384 as tropas castelhanas invadiram Portugal e no dia 6 de Abril desse mesmo ano os dois exércitos enfrentaram-se na batalha dos Atoleiros, saindo vitoriosas as tropas portuguesas, comandadas por D. Nuno Álvares Pereira, apesar do número  bastante inferior, batalha onde, pela primeira vez, foi usada a tática do quadrado.
A 29 de maio de 1384, D. João I de Castela cerca Lisboa, cidade cuja defesa estava à guarda de D. João, Mestre de Avis. O cerco durou quatro longos meses e foi muito penoso para as populações devido às privações alimentares... entretanto a peste instalou-se no exército castelhano que levantou o cerco, libertando, deste modo, a cidade.
O prestígio do Mestre foi crescendo, muitas povoações apoiavam-no e a 6 de abril de 1385, o Mestre de Avis, nas Cortes de Coimbra, foi aclamado rei de Portugal com o título de D. João I.
D. João I de Castela invade, de novo, Portugal. Travam-se as batalhas de Trancoso, Aljubarrota e Valverde, todas ganhas por Portugal e que ajudaram a consolidar a independência nacional.
Em 1386, D. João I mandou edificar o mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais conhecido por Mosteiro da Batalha, que comemora a vitória dos portugueses na batalha de Aljubarrota.

Podes visitá-lo, virtualmente, aqui.

A apresentação em PowerPoint, já explorada em contexto de sala de aula, encontra-se na hiperligação B - A Crise de 1383/85.

E agora tenho uma enooooorme surpresa para grande parte dos meus alunos... sim, são vocês no vídeo... ainda tão pequeninos! durante a representação teatral preparada pela vossa muito querida professora Ana Oliveira que vos ensaiou e que aplanou trabalho para que vocês chegassem às minhas mãos, no 7º ano de escolaridade, a amar História.
Deixem-me desabafar... que saudades desta vossa professora de História e do trabalho, entusiasmado, que partilhámos um dia...
Tomara que a EB 2/3 de Amarante possa contar, um dia, e de novo, com o seu trabalho...



Ainda sobre a crise, uma síntese...



... e agora, dou a palavra a José Hermano Saraiva.